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TELEFONEMA A MEIO DA TARDE

Do outro lado, dizem-me que o Armando Rafael morreu. O Armando que eu via todas as manhãs, a duas mesas de distância, no bulício da redacção. O Armando dos gestos largos, dos desabafos certeiros, da ironia sempre pronta a disparar, do "então, pá" com uma pancada nas costas. O Armando que fumava muito e que analisava os jogos do Sporting como se fossem alta ciência. O Armando com estofo de jornalista à antiga, do tempo em que a palavra camaradagem nem precisava de ser dita. O Armando que parecia imortal, como todos nós (os que ficamos).
Ao telefone, dizem-me que o Armando Rafael morreu. Coisa tão estúpida. E, como das outras vezes, nem sei o que responder.

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