CHAVE DE LEITURA
O poema que transcrevi no post anterior é uma excelente chave de leitura para a obra, já razoavelmente extensa, de Manuel de Freitas. Está lá quase tudo: a visão desiludida da poesia (assente numa estética da descrença e na assumida falta de aura), o niilismo melancólico (com mais resignação do que revolta), a fé na redenção pelo amor e no poder indestrutível da amizade (que nem uma errata consegue corrigir), a ironia desprendida e o gosto pelo paradoxo. Conhecendo os outros livros de MF, a ideia da taberna como "salvação" e "perdição" surge-nos como uma evidência. Falta a referência à música, aos charros e a um certo desencanto geracional, falta a nostalgia de lugares que já não são como foram, mas talvez o autor não tenha querido fazer deste poema um exercício de excessiva transparência.