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A DITADURA PUBLICITÁRIA PODE SER OBSCENA

Toda a gente sabe que os jornais e revistas necessitam da publicidade como de pão para a boca. Com as receitas a fugirem para outros suportes (ou para os gratuitos) até as publicações de referência perdem o pudor e autorizam o impensável: anúncios por cima do cabeçalho, falsas primeiras páginas, inserts nos sítios mais abstrusos e toda a sorte de cedências ao "poder do dinheiro", que vergam o equilíbrio gráfico e obrigam a verdadeiros actos de contorcionismo editorial.
Mesmo tendo visto de tudo ao longo dos anos, nunca me deparei com nada tão deselegante e descabido (os americanos diriam inappropriate) como a capa do último número da Visão.
Ora apreciem lá:


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A publicidade a um automóvel que alguém se lembrou de colar no espaço supostamente mais intocável de uma revista não se limita a pôr uma espécie de mordaça no escritor António Lobo Antunes e a destruir o retrato do fotógrafo José Carlos Carvalho. Isso já seria suficientemente mau. Mas há pior. O que aparece escrito naquele teaser manhoso é a frase «Tudo começou em Abril». Ora, a páginas 110, a jornalista Sara Belo Luís explica-nos que Lobo Antunes ficou a saber há sete meses que tem um cancro, o tema central da entrevista. Ou seja, para usar a formulação da Toyota, tudo começou em Março. E foi por um triz que não se deu uma coincidência de muitíssimo mau gosto.

Comments

Simplesmente incrível e inaceitável. A publicidade nunca se deve sobrepor ao bom senso e ao respeito pela lógica jornalística.
:(

Bolas, chocante! Deveras chocante. E eu que tanto me queixo dos abusos da publicidade, sobretudo aqueles que me punem e me privam e me censuram no meu próprio BLOGUE.

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