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FORMAÇÃO DESORDENADA

No fundo, no fundo, eu gostava era de ser jogador de râguebi. Daqueles esguios, estão a ver, mestres na arte da finta, muito velozes e imunes a qualquer placagem. Uma espécie de Serge Blanco, esse génio, mas ainda mais elegante. Punha-me a correr por ali fora, com quatro ou cinco matulões a quererem deitar-me abaixo (e falhando sempre por uma unha negra), para só pousar a bola oval, em triunfo, mesmo atrás dos postes.
Em vez disso, sou apenas escravo do que escrevo e vice-versa (um escriba escravo), com a agravante de não saber qual dos dois José Mários, o verdadeiro ou esse outro (com protector nos dentes), levaria mais porrada.

[É evidente que haveria, na suposta vida alternativa, o problema do nome: Silva ainda se aceita numa equipa de futebol (não faltam exemplos) mas para se pertencer aos Lobos é preciso mais pedigree. Lá teria que omitir uns apelidos, dar lustro a outros e passar a chamar-me José Pinto Deniz, que até nem soa mal e era logo meio caminho andado para chorar baba e ranho aos primeiros acordes do hino de Alfredo Keil.]

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