ETÉREOS PARÊNTESIS
Na "apresentação" das suas versões dos poemas de Apollinaire, Jorge Sousa Braga conclui desta forma: «Para o leitor penetrar nestes poemas, talvez a melhor maneira seja a de se misturar com os anjos (e contrabandistas) que continuam a desembarcar em Marselha, todas as manhãs.»
Eu até concordo com a frase, que por associação de ideias me leva ao rosto de Rimbaud a morrer numa cama de hospital. Mas, ao contrário do Jorge, para mim os contrabandistas viriam sempre à frente e era aos anjos que reservaria aqueles etéreos parêntesis.