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REGRESSO À ORIGEM

São poemas escritos em forma de post pelo Francisco José Viegas (a longa série intitulada A Noite, o Que É?), agora transpostos para o papel numa edição da Quasi (que apetece resgatar de novo para este limbo etéreo da blogosfera).
Tomem lá três:

Oiço o ruído dos canaviais não muito longe. Pequeno vento a meio da noite, pequeno vento. A única tempestade, ninguém a suspeita. A meio da noite adormece-se a pensar nesse perfume.

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Abrir um caderno {The night writing} e escrever pela noite fora, enquanto não chega o Inverno. Nunca se escreve tudo, nunca se chega ao fim. Agora, que olho os teus olhos, sei como se começa a escrever pela noite fora, como se ouvem os ruídos, como se ouve a respiração. Ao recuperá-la, não se perde de novo, não se adormece sem ouvir essa voz a que sempre se pertenceu. A noite é isto, afinal, chegar e partir, enfrentar as horas, esperar.

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Ficamos com pouco, depois de um ano inteiro: poeira, o coração sempre no fim da tarde, insectos, colibris, o sabor da cerveja, não ter endereço. O coração no fim da tarde é uma imagem que transporto todos os dias. A poeira também. E alguns nomes novos: vagalume, sonambulismo, domingo de praia, nadar a meio da noite, livros, café da manhã.

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