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A MARCA NOBEL

Há exagero nas reacções internacionais à hipótese iberista avançada por José Saramago numa entrevista ao DN? É claro que sim. As páginas inteiras dedicadas à polémica na maior parte dos jornais de referência europeus (mas também no resto do mundo, até na China) reflectem dois aspectos que me parecem cruciais na ecologia da comunicação à escala global. Por um lado, assistimos a mais um exemplo do efeito de contaminação temática («se o El Pais e o La Repubblica pegam nisto, também temos que pegar...», «se já chegou à BBC, não podemos ignorar», etc.) que leva a uma espécie de bola de neve mediática instantânea e imparável, como aconteceu de forma ainda mais avassaladora no caso do desaparecimento de Madeleine McCann. O segundo aspecto tem a ver com o poder da marca Nobel. Por muito que se questione a legitimidade literária das escolhas da Academia Sueca, o certo é que o epíteto Prémio Nobel da Literatura continua a ter um peso enorme. Acham que se a ideia de um Portugal condenado a fundir-se com Espanha tivesse sido avançada, digamos, pelo António Lobo Antunes (para citar um nome de igual estatuto no mundo das Letras) a reacção dos media internacionais teria sido esta?

Comments

É evidente que não. E isso deveria levar o Saramago a pensar bem o que diz. Uma coisa é pensarmos que se Portugal não se tivesse separado estaria melhor, e não gostarmos da forma como Portugal tem sido, está a ser governado, outra coisa é anular a história e a vontade dos povos.Fala-se muita na economia, esquece-se a cultura.

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