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TROCAS

Já não sou capaz de recordar as circunstâncias exactas em que rabisquei este "pequeno exercício", mas tenho uma vaga ideia de estar na esplanada do Kavana Dubrovnik, em Zagreb, diante da imponente estátua equestre de Ban Josip Jelacic, o herói croata que enfrentou os húngaros e que os ímpetos nacionalistas trouxeram para o coração da capital, depois da independência.
Lembro-me que estava de férias, passeava pelas ruas o desprendimento de quem se recusa a ser turista e bebia cafés com lentidão cerimonial, na vaga esperança de pressentir, pelo canto do olho, o fantasma da Mitteleuropa. Às tantas, armado em Breton ocioso, saiu-me aquilo. Uma brincadeira. Um jeu de mots inofensivo e com o seu quê de gratuito, como todos os jogos de palavras. Por exemplo, reparo agora que para muitos leitores Deus talvez não seja "o erro de paralaxe", mas antes "o abismo à nossa espera" ou a "sombra vertical". E para outros o poema será, não a "hesitação feliz", mas "a utopia dos dedos" ou a "porta entreaberta". Já para não falar no amor, que muitos prefeririam, estou certo, ver classificado como "estratagema subtil" ou "erro de paralaxe".

Comments

Pessoalmente gostei da resposta à carícia. Parece-me que parte de nós anseia por "dar" carícias aos dedos. É sempre bom reler pequenos escritos antigos, dissimuladamente perdidos... ;-)

Pessoalmente gostei da resposta à carícia. Parece-me que parte de nós anseia por "dar" carícias aos dedos. É sempre bom reler pequenos escritos antigos, dissimuladamente perdidos..

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