PARA ONDE IRÃO OS URSOS ESTE ANO?
Olhando para a lista de 23 filmes que podem ser premiados na Berlinale 2007, durante a cerimónia de encerramento (hoje, ao fim da tarde), a primeira conclusão a tirar é que não existem favoritos indiscutíveis. Numa edição com uma qualidade média francamente abaixo das expectativas (fruto da estratégia do director Dieter Kosslick, cada vez mais interessado em conciliar filmes comerciais com obras de autor, deixando o experimentalismo para as secções alternativas), os Ursos devem ir para os poucos filmes que escaparam à mediania. Mas mesmo isso não é garantido, sabendo-se como foram surpreendentes alguns dos palmarés dos últimos anos.
Se o júri, liderado por Paul Schrader, for no mesmo sentido da imprensa (medido em volume de aplausos no fim das projecções e número de estrelas nas revistas que acompanham de perto o festival), então o mais certo é que o Urso de Ouro seja atribuído a Irina Palm, de Sam Garbarski, a inverosímil saga de uma avó que se torna “trabalhadora sexual” para salvar a vida do neto.
No entanto, se a ideia for mesmo premiar o melhor filme, o prémio vai direitinho para Ne Touchez pas la Hache, do veterano Jacques Rivette; ou, eventualmente, para Les Témoins, de André Téchiné. Do contingente americano, o único candidato com aspirações é The Good Sheperd, a saga de Robert De Niro sobre o nascimento da CIA. E se se repetir a aposta numa obra de autor em início de carreira (como Grbavica, de Jasmila Zbanic, vencedora em 2006), O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, do brasileiro Cao Hamburguer, também terá as suas chances.
Quando aos actores, havendo justiça, os Ursos de Prata irão para Julio Chavez (El Otro), que já merecia ter ganho o ano passado (por El Custodio), e para uma de duas actrizes: Jeanne Balibar (Ne Touchez pas la Hache) ou Marianne Faithfull (Irina Palm).
[Publicado na edição de hoje do Diário de Notícias]