PARA COMPLICAR AINDA MAIS AS COISAS
Esta noite vi INLAND EMPIRE, de David Lynch, à margem do festival. Uma experiência ainda mais bizarra e enigmática do que Mulholland Drive, que já não era pêra doce. Para além de pairar entre o pesadelo e a alucinação, com desdobramentos temporais e curto-circuitos narrativos, saltos entre a Califórnia soalheira e a Polónia coberta de neve, mais uma actriz (Laura Dern) a fazer pelo menos três personagens que suspeitamos serem projecções umas das outras, em INLAND EMPIRE ainda cabe uma sitcom com pessoas vestidas de coelho, diante de uma assistência que ri às gargalhadas de frases como "que horas são?", e umas sequências em que só se fala polaco.
Agora imaginem uma versão do filme sem legendas em inglês. Pois foi o que nos calhou em sorte. Longos minutos em vídeo baratucho esticado para 35 mm, ouvindo polacos traduzidos em alemão. Ou seja, acabámos por viver uma experiência lynchiana dentro de outra experiência lynchiana (que já era, por sua vez, uma experiência lynchiana elevada ao cubo).