" /> A Invenção de Morel: janeiro 2007 Archives

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janeiro 31, 2007

LINKS

O link para o blogue SIM no Referendo vai ficar sob o ícone desenhado pelo Pedro Vieira, aqui mesmo à mão, para facilitar os acessos até 11 de Fevereiro (e dias seguintes).
Agora só me falta cumprir, espero que amanhã, uma tarefa que ando a adiar há um ror de tempo: varrer as folhas mortas da lista de "enlaces" (como lhes chama o Alexandre) e juntar-lhe uma série de endereços que entretanto se tornaram, para mim, de visita regular.

ABERTURAS PERIGOSAS

Certos livros começam de forma tão forte, tão bela ou tão enigmática que nos atiram logo para o abismo da leitura compulsiva. É preciso ter cuidado, quando se manuseiam tais obras. Muito cuidado. Por exemplo, Doutor Pasavento, de Enrique Vila-Matas (acabadinho de chegar às minhas mãos, dentro do envelope pardo das edições Teorema). Arranca assim:

«Passávamos pela chamada alameda do fim do mundo, um melancólico trilho junto do castelo de Montaigne, quando me perguntaram:
– Donde vem essa tua paixão por desapareceres?»

O resto são mais de quatrocentas páginas de Vila-Matas vintage (parece-me, em breve confirmarei), sempre atrás do fantasma fugidio de Robert Walser. Deixo-vos ainda o título da quarta e última parte – «Escrever para se ausentar» – que mais parece uma sinopse.

ESTREIA DE UMA REVISTA

O primeiro número da revista OBSCENA, um projecto editorial independente dedicado às artes performativas, é lançado hoje. Com periodicidade mensal, estará apenas disponível para download em pdf no respectivo site.
Segundo o press-release a que tive acesso, a ideia é publicar notícias, reportagens, entrevistas, críticas, artigos de opinião, ensaio e fotografia, equilibrando temas da actualidade nacional e internacional. «A revista quer contribuir para a promoção do diálogo e da discussão sobre as várias disciplinas artísticas nas suas diferentes fases de trabalho, através de textos assinados por críticos, investigadores, jornalistas, programadores e criadores portugueses e estrangeiros que também reflictam acerca do contexto onde estas se inserem.»
A OBSCENA será editada por Tiago Bartolomeu Costa, tendo como «editores associados» Jorge Louraço Figueira, Miguel-Pedro Quadrio e Mónica Guerreiro.

janeiro 30, 2007

SÃO OS PARTIDOS, ESTÚPIDO!

Esta tarde, pelas 18h30, o ciclo de debates É a Cultura, Estúpido! contará com a presença de Mário Soares. O ex-Presidente da República falará sobre "O futuro dos partidos políticos e as novas formas de organização partidária". A conversa será moderada por Anabela Mota Ribeiro, com Pedro Mexia e Daniel Oliveira no papel de "agentes provocadores". Nuno Artur Silva e José Mário Silva dirão o que andam a ler, ver e ouvir.

janeiro 29, 2007

VARIAÇÕES SOBRE UMA ESCULTURA LUMINOSA (2)

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Fotografias de JMS, a partir de Néctar (dois enormes candelabros feitos com garrafas de vinho, em vidro verde; obra da artista Joana Vasconcelos, que os instalou junto às entradas Sul e Norte do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém)

FIQUEM LÁ DE BOCA ABERTA

Há uma revolução em curso mesmo por baixo do nosso nariz.

[Dica do Tiago Barbosa Ribeiro]

janeiro 28, 2007

INDETERMINAÇÕES

Relembremos a primeira frase do Quijote, de Cervantes:

«En un lugar de la Mancha, de cuyo nombre no quiero acordarme, no ha mucho tiempo que vivia um hidalgo de los de lanza en astillero, adarga antigua, rocin flaco y galgo corredor.»

Relembremos as duas primeiras frases de Moby Dick, de Hermann Melville:

«Call me Ishmael. Some years ago - never mind how long precisely - having little or no money in my purse, and nothing particular to interest me on shore, I thought I would sail about a little and see the watery part of the world.»

Hipótese de trabalho: comparar a indeterminação geográfica do Quijote (que começa num lugar de cujo nome o narrador não quer recordar-se) com a indeterminação cronológica da história de Moby Dick (que tem o seu início num tempo que Ismael, o único sobrevivente da tragédia do Pequod, se recusa a precisar).

NEVE

Foram apenas alguns flocos, no meio da chuva, mas chegaram para acender a memória do que se passou há um ano (menos um dia).

janeiro 27, 2007

O POEMA É UMA ARMA

Revólver, de Rui Lage, Quasi, 82 páginas.

Rui Lage (n. 1975) foi co-fundador da aguasfurtadas – revista de literatura, música e artes visuais –, pertence à direcção da Fundação Eugénio de Andrade e traduziu os Selected Poems de Paul Auster, para além de obras de Neruda e Beckett. Antes deste Revólver, editou dois livros de poesia: Antigo e Primeiro (2002) e Berçário (2004) – sempre na Quasi.
Tendo lido apenas o opus 2, recordo um autor com assinalável domínio do ritmo e da prosódia, estilo cuidado, capaz de belas imagens e formas subtis de articular raciocínios, mas que se perdia amiúde num lirismo vago, quase abstracto e excessivamente elíptico. Em Revólver, embora Lage conserve o tom dos versos, alguns núcleos temáticos e uma certa filiação (repetem-se as dedicatórias a Eduarda Chiote, Manuel António Pina, Arnaldo Saraiva e João Aguardela), o salto qualitativo é por demais evidente.
O título do livro e das suas quatro partes (Licença de porte de arma; Carreira de tiro; Caça furtiva e O revólver vazio) nasce da metáfora do texto de abertura: o poema visto como arma de fogo, máquina pessimista e talvez inútil, porque cheia de ferrugem, com o gatilho «empenado» e balas de calibre duvidoso.
No entanto, mais do que imagens bélicas ou impulsos suicidas, o que a primeira parte do livro nos oferece é uma desassombrada reflexão sobre o vazio espiritual em que vivemos, hoje, neste Ocidente afundado no «tédio sem cura» de um tempo em que os deuses deixaram de ser necessários, prevalecendo no seu lugar o «fantasma de Nietzsche». Mesmo se a metafísica for entregue «de uma vez por todas» aos físicos, para ser «testada em aceleradores de partículas», Lage não ignora que «quanto maior a pergunta / mais rarefeita a resposta». E é por isso que ensaia uma «poética da ciência», disposto a fundar sobre ela «uma crença / que contemple o mais possível o amor», enfim «liberto do tempo e do espaço». Há nestes poemas uma apropriação muito interessante da linguagem científica (com referências, por exemplo, à cintura de Kuiper ou à nuvem de Oort) – coisa rara na poesia portuguesa, pelo menos desde os últimos livros de Vitorino Nemésio. Pena é que o corolário destas explorações seja uma ingénua manifestação de fé na chegada de uma Teoria do Todo que tudo reconciliaria («ficção e ciência, / tropo e teorema, / metáfora, equação // coeficiente // poema») num apogeu de harmonia infantil: «criança alguma ousará / não dirigir a palavra / a outra criança / ou desconvidá-la para a sua festa / de aniversário».
Mais consistente me parece a segunda parte, com a sua crónica urbana de desencanto, atravessada por uma tristeza fugidia, insónias, vida de café e súbitas visões, nítidas como fotogramas («Um ecrã em cada lar / emite luz amarela / como vela acesa / em cela de convento»). Na terceira parte impera a nostalgia de um mundo natural que nós, urbanas «flores de estufa», já só entrevemos à distância. As feras, agora, se rugem é nas «magnéticas selvas» projectadas pelos televisores de plasma. E a luz verdadeira, a «edição princeps da manhã», perde-se por adormecermos «cercados de latas de cerveja / e prata de chocolate».
O melhor do livro, porém, está na sequência final: sete poemas em que pousa a sombra da morte, mas sem alarde ou pavor, antes com uma delicadeza comovente, bem expressa na última estrofe da belíssima Ode a uma urna portuguesa: «Se deixarmos de pensar em ti como saberemos / se algum dia exististe, se tomaste café, / se compraste o jornal, / e se passeaste na praia / naquele dia em que eu estava lá / mas não me viste?»

[Publicado no suplemento 6.ª do Diário de Notícias]

janeiro 26, 2007

LIÇÕES DE FOTOGRAFIA (3)

Vê todos os filmes de Andrei Tarkovski.
Lê todos os poemas de Arsenii Tarkovski.

A ZONA

Um fotograma de Stalker (1979)

COISAS QUE SE OUVEM NO METRO

«Os realistas, 'tás a ver, pintavam os trabalhadores e assim. Os impressionistas era mais uma questão de técnica.»

«'Tadinho, ainda na semana passada o vi e parecia mesmo bem, ninguém diria que lhe estava para acontecer uma coisa destas.»

«Olha lá, conheces alguém interessado em alugar uma casa em Massamá?»

TRÊS VERSOS DE JUAN ANTONIO BERNIER

Nuestro mirar insiste
en una sola línea:
la que un pájaro traza.

[in Así procede el pájaro, Pre-Textos, Valencia, 2004]

MALES QUE SE PROLONGAM

Os comentários continuam indisponíveis. So sorry.

janeiro 25, 2007

UM POEMA DE RUI LAGE


Wong Kar-Wai


Como se perguntasse o teu
nome, e um eco de mim
respondesse
que não existes


e me apetecesse morrer
mesmo assim à tua porta.


Como se no banco de trás de um táxi
não seguisses comigo para a morte,
nem tivesses no meu colo pousada
a tua cabeça,
no teu rosto branco o batom aceso,
e o azul dos olhos como um espelho
debruçado sobre a noite
ou luz de navio perguntando por terra
mas passando ao largo.

[in Revólver, Quasi, 2006]

BAETA

Há uns três meses que andava para cortar o cabelo, a trunfa, o exagero capilar que já me escondia as orelhas e caía para os olhos. Ontem, depois de n adiamentos, aproveitei a folga e deixei vir a mim as tesourinhas. Pois bem. Sabem que livro decidi começar a ler enquanto esperava? O Mel do Leão, de David Grossman. Subtítulo: O mito de Sansão. Juro que a ironia foi involuntária.

VARIAÇÕES SOBRE UMA ESCULTURA LUMINOSA (1)

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Fotografias de JMS, a partir de Néctar (dois enormes candelabros feitos com garrafas de vinho, em vidro verde; obra da artista Joana Vasconcelos, que os instalou junto às entradas Sul e Norte do Centro de Exposições do Centro Cultural de Belém)

janeiro 24, 2007

SIM, SIM, SIM

A partir de hoje (e até dia 11 de Fevereiro) também andarei por aqui.

DOIS POEMAS (INÉDITOS) DE ANDRÉ SOUSA MARTINS

Nas conferências de imprensa
falas em fé ilimitada,
de herói internacional;
falas, num inglês fluído,
em jogadas inteligentes,
que os jornais e as televisões
reproduzem.

Os milhares de fracassados
e de desempregados,
gostariam de ser como tu.
No íntimo,
mandam-te todos
àquele sítio.


***

O escarcéu das sirenes
da polícia e
dez automóveis negros.
Aviões de guerra
fazem estremecer os telhados.

A mão,
por detrás do vidro,
resgata do tédio
os que se aproximam
para ver.
Todos juram
que era
a mão do presidente.

UMA BOA NOTÍCIA

Do leitor Ricardo F. Diogo recebi o seguinte e-mail (que divulgo com todo o gosto):

«O Projecto Gutenberg, a mais antiga biblioteca electrónica do Mundo, já está disponível em Português, na Internet. Os milhares de livros-e [electrónicos] disponibilizados gratuitamente no PG são produzidos por voluntários de todo o Globo, sozinhos ou no sítio de revisão colectiva Distributed Proofreaders.
A nova versão pretende aumentar as taxas de literacia e a produção de livros electrónicos gratuitos no Mundo de Expressão Portuguesa.
Espera-se, dentro de uma década, ocupar a terceira posição no número de obras em línguas europeias. Um objectivo ousado, que depende da capacidade de mobilização de toda a Comunidade Lusófona.
Qualquer pessoa pode ser um voluntário. Apenas precisa de um livro velho. E de amor pelas Letras em Língua Portuguesa. Mais pormenores nesta página

janeiro 23, 2007

LIÇÕES DE FOTOGRAFIA (2)

Evita a ênfase.
Faz com que tudo seja nu,
menos o teu olhar.

DA PAISAGEM COMO ABSTRACÇÃO

Dunes, Oceano – Edward Weston (1936)

COISAS QUE (NÃO) SE ENCONTRAM NO YOUTUBE

Nem uma entrevista, nem uma opinião de leitor fascinado, nem sequer uma montagem de fotografias a preto e branco (com pouca definição). Nada.

MAIS DO W. G.

Caros sebaldianos: certo "passarinho do mundo editorial" disse-me que está para breve a edição de mais um opus do nosso homem. Desta vez é Vertigo: deambulações pelo norte de Itália e Áustria, sob o signo de Stendhal e Kafka. Título português: Vertigens.

janeiro 22, 2007

DETALHES

Na tradução de Moby Dick que está em cena no Teatro S. Luiz, Ismael, no discurso de abertura, diz que uma das razões que o levam a embarcar é a fuga ao desespero e ao «Novembro húmido» que se instala, junto com outros pensamentos mórbidos, na sua atormentada alma. «Eis o meu substituto para o suicídio», afirma o actor Graciano Dias. Mas não é bem isso que está no original. Melville escreveu: «This is my substitute for pistol and ball.» Não um suicídio qualquer, mas um tiro na cabeça. Detalhes destes nunca são de menosprezar, sobretudo num frasista magnífico como era o autor de Bartleby. Veja-se, a título de exemplo, a frase que surge logo após o desabafo do pistol and ball: «With a philosophical flourish Cato throws himself upon his sword; I quietly take to the ship.»

ARTE POÉTICA

Cada verso, um alçapão reincidente.

JOGAR NO FIO DA NAVALHA

Impasse, de Icchokas Meras, Quetzal, 183 páginas.

À primeira vista, Impasse, de Icchokas Meras, um romancista lituano judeu que vive em Israel desde 1972 (até agora desconhecido por cá), parece enquadrar-se numa longa genealogia de ficções em que o xadrez ocupa lugar central – caso, por exemplo, dos livros de Lewis Carroll (Alice no Outro Lado do Espelho), Stefan Zweig (O Jogador de Xadrez), Vladimir Nabokov (The Luzhin Defense), Fernando Arrabal (A Torre Ferida pelo Raio), Arturo Pérez-Reverte (A Tábua de Flandres), Paolo Maurensig (O Jogo de Morte – A Variante de Lüneburg) ou Alexandre Andrade (Benoni).
Na verdade, e embora se possam encontrar alguns pontos de contacto com o romance de Maurensig (em ambos o tabuleiro é o lugar do ajuste de contas entre um judeu e o seu torcionário nazi), aos leitores que procurem em Impasse uma leitura escaquística concreta – isto é, não apenas simbólica ou alusiva – espera-os uma desilusão. Sobre o jogo de xadrez que serve de fio condutor da sua obra, Meras diz-nos muito pouco. E ninguém conseguirá reconstruir jogadas ou a partida inteira, como nos livros de Pérez-Reverte e Carroll.
A situação-limite a que é sujeito o protagonista, um rapaz judeu chamado Isaac Lipman, fica definida logo nas primeiras páginas, embora as circunstâncias exactas do “contrato” só sejam explicadas no fim do relato. Xadrezista talentoso, recai sobre ele o peso do desafio retorcido que Adolf Schoger, o oficial nazi que controla com mão de ferro o gueto de Vilnius, engendrou. Na véspera de enviar todas as crianças judias para um campo de extermínio, Schoger decide jogar o destino dos inocentes no tabuleiro de xadrez, em confronto directo com Isaac, um prodígio de 16 anos que o vencera sempre até àquele momento.
Desta vez, porém, o jovem xadrezista terá que resolver um terrível dilema moral. Se vencer o jogo, as crianças serão libertadas mas ele será condenado à morte. Se perder, Schoger poupa-o mas envia as crianças para um fim atroz. A única solução é então a procura do empate a todo o custo, com os riscos que uma estratégia desse tipo geralmente acarretam.
Se Meras explora com subtileza este tremendo duelo psicológico, o certo é que nunca o coloca, como seria de esperar, no primeiro plano da narrativa. Embora acompanhemos sempre, em apontamentos curtos e elípticos, a evolução do jogo decisivo, o foco principal da nossa atenção é desviado para uma série de episódios em que nos confrontamos ora com o sofrimento e resistência dos habitantes do gueto (narrados na terceira pessoa) ora com a história (na primeira pessoa) do idílio de Isaac e Esther: uma amizade próxima do amor, pura e cheia de reminiscências do Cântico dos Cânticos.
A sombra da Bíblia paira, aliás, sobre todo o livro. Tal como no Velho Testamento, há um pai dilacerado, Abraham Lipman, que imita o outro Abraão, ao dispor-se ao sacrifício do único descendente que lhe resta – não por acaso chamado Isaac – depois de ter perdido seis filhos. O tom bíblico é notório sempre que Abraham introduz cada um desses seis mortos: “– Gerei uma filha, Ina”, “– Gerei um filho, Kasriel”. E gerou também Rachel, Basia, Riva, Taibalé. À vez, um atrás do outro, cada um destes irmãos de Isaac chega-se à frente e domina-nos durante algumas páginas. Uns são artistas, outros resistentes. Uns morrem de forma heróica, a lutar até à morte de espingarda-metralhadora em punho. Outros revelam-se traidores incapazes de lidar com a culpa. E há o caso de Taibalé, a mais nova, nem sequer dez anos de vida, pendurada num poste com a família que a acolhera ainda bebé, só por viver numa zona interdita a judeus. Todos eles, mais as figuras com que se cruzam (por exemplo, Janek, amigo de Isaac e “irmão” de Esther), são personagens de uma extraordinária densidade humana. Através das suas histórias, é a vida do gueto, esse inferno que se materializa atrás dos portões, do controlo militar dos nazis e da prepotência cruel de Schoger, que se desenha com uma nitidez que chega a ser pungente.
Como o surpreendente desfecho sugere, o verdadeiro xadrez não se joga nas 64 casas brancas e negras da praxe. O tabuleiro, se existe, é do tamanho do gueto (ou do mundo). E os irmãos mortos deste romance são algumas das peças sacrificadas num jogo brutal cujo sentido ainda hoje, de certo modo, nos escapa.

[Publicado no suplemento 6.ª do Diário de Notícias]

janeiro 21, 2007

DESPEDIDA (PALÁCIO GALVEIAS)

Quatro velas, um ramo de rosas brancas, a voz do Luís Miguel Cintra partindo-se entre os versos, comovida. E no fim o silêncio enorme, onde coubemos todos.

janeiro 20, 2007

UM CANTO DE FIAMA

CANTO DOS EPITÁFIOS (Dia de Finados de 1993)

Todos os dias são dias de finados,
dias dos epitáfios e rosas e crisântemos.
Cada dia as palavras votivas
são apenas uma asserção sobre o vivo.
Contemplo a minha laje talhada inscrita
levada pelo amor da epigrafia
e vejo que sob o nome que fora antes
deixaram linhas de uma mensagem vã.
Todas as palavras são dos mortos
que, avaros, no-las guardam há séculos,
falamos porque os mortos nos falavam
e os livros fizeram-se à imagem do Livro.
É belo ler o que não é, na pedra,
as datas que alongam a cadeia
que nos amarra fugazmente ao Tempo.
Não ser e não estar é o que dizem
as palavras nas línguas de Babel
deixadas escritas em todas as campas.
Também os mortos nos legam a onomástica
e a todos o grande Nome dá o Verbo
para denominar segundo a tribo.
Louvemos o Canteiro que tem a arte
de escavar as palavras no vazio
através dos séculos até mim,
que aceito o nome que me for gravado.
Ao meio-dia do dia de finados
a pedra arde como se fosse estio
e o clarão que aflora as lajes
lembra-nos a matéria e as erupções solares.
Quantos já ascenderam ao Sol,
dos povoadores, peregrinos, filhos terrestres,
e quantas rosas os seguiram no espaço,
destas que o amor humano colocou
e que o amor entre os astros nos retira.
E quantas vezes o Sol por compaixão
nos devolve a nós mesmos os seus protões.

[in Cantos do Canto, Relógio d'Água, 1995]

NO ENTANTO ALGURES, NUM POEMA, OUVI / RODAREM AS ROLDANAS DO CENÁRIO

Fiama Hasse Pais Brandão (1938-2007)

Fotografia: Luísa Ferreira

SMS DAS TRÊS DA MANHÃ

morreu a fiama.

janeiro 19, 2007

O AFFAIRE RUTE MONTEIRO

Enquanto o país se indigna com a condenação de um pai adoptivo (e respectivo folhetim mediático, animado hoje por confissões da mãe biológica que entregou, em desespero de causa, a filha de três meses); enquanto o país se distrai com os ataques fúteis de Paulo Portas a Maria José Morgado; há uma notícia bombástica que está a ser completamente ignorada por televisões e jornais. Segundo o blogue de "jornalismo independente" Freelance, surgido há pouco tempo e da responsabilidade de um tal Olavo Aragão, uma jornalista portuguesa, Rute Monteiro, terá sido raptada no Líbano em Outubro de 2006 por um grupo auto-intitulado Brigadas da "Jihâd Santa".
A ser verdade, este é daqueles casos que merecem cobertura exaustiva dos meios de comunicação social, não só em Portugal mas em todo o mundo. No entanto, a notícia foi colocada esta madrugada, pouco depois da meia-noite, e o silêncio ainda impera (excepção feita a uns quantos blogues). O que é que se passa? Os media portugueses estão a dormir? Ninguém faz nada? Não há uma alminha que se ponha a investigar isto, para tirar a limpo se se trata de informação credível ou de uma brincadeira de mau gosto? Por muito menos, o célebre blogue que acusava Miguel Sousa Tavares de plágio conseguiu chegar às páginas dos jornais.
É certo que há aqui coisas que não batem lá muito certo. Quem é Olavo Aragão? Alguém já tinha ouvido falar dele? Aparentemente, Luís Carmelo conheceu-o pessoalmente e garante tratar-se de um jornalista que esteve radicado 20 anos no Brasil. Talvez o autor do Miniscente possa esclarecer-nos melhor sobre esta figura, sobre o seu percurso e a sua idoneidade profissional. Mas o maior mistério tem a ver com a repórter desaparecida. De onde surge afinal Rute Monteiro? Eu, que leio todos os dias a imprensa, nunca vi o nome dela em lado nenhum. Alguém me sabe dizer para que publicação, rádio ou canal televisivo é que trabalha? E desde quando é que alguém pouco experiente (como ela fatalmente deve ser) parte assim para um dos locais mais perigosos do mundo?
Há aqui qualquer coisa que cheira a esturro e que merece uma investigação com pés e cabeça. Ou não?

Adenda - Ao pesquisar no Google, encontrei uma Rute Monteiro «hospitaleira» a receber turistas enófilos na Quinta do Noval, uma Rute Monteiro professora na Escola Superior de Educação da Universidade do Algarve (além de Responsável do Projecto Educativo do Parque Aquashow, em Quarteira), várias Rutes Monteiros brasileiras mas nem uma que seja jornalista. Estranho, muito estranho.

MALDIÇÃO DA BALEIA BRANCA SOBE AO PALCO DO SÃO LUIZ

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Gregory Peck preso ao cachalote, com as linhas de vários arpões a tolherem-lhe o corpo, enquanto espera a morte no dorso do inimigo. À volta, o mar vermelho de sangue. Era esta imagem cinematográfica do Capitão Ahab, fixada numa película de John Huston (1956) “vista há muitos, muitos anos, na televisão”, que pairava ainda na memória do encenador António Pires, quando Alexandre Oliveira (seu sócio na produtora Ar de Filmes) lhe passou para as mãos o romance de Herman Melville, dizendo: “E se pegasses nisto?”
Habituado a levar ao palco clássicos da literatura (como A Paixão do Jovem Werther, de Goethe; o Dom Quixote, de Cervantes, a partir da tradução de Aquilino; ou Os Lusíadas), Pires entusiasmou-se e pôs imediatamente mãos à obra. Com Maria João Cruz, guionista das Produções Fictícias que já conhecia de outras andanças (por exemplo, A Morte de Romeu e Julieta, 2005), lançou-se num longo processo de “investigação dramatúrgica” e adaptação literária que culminou no espectáculo Moby Dick, estreado ontem à noite no Teatro São Luiz, em Lisboa, onde permanecerá até 3 de Março (quintas e sextas-feiras, às 21h00; sábados, às 16h00 e às 21h00).
“Foram uns seis meses a partir pedra”, diz António Pires, “incluindo o mês que passámos nos Açores, com os senhores da Universidade, do Instituto do Mar e do Museu do Pico”. Transformar a prosa densa de Melville numa peça acabou por ser menos problemático do que se poderia supor: “Aquilo é muito teatral. Alguns diálogos chegam a parecer Shakespeare e a forma como eles articulam os pensamentos, como se questionam, tem uma força extraordinária. Existe ali conflito, tensão, matéria dramática.”
Apesar dos inevitáveis cortes [o livro tem cerca de 600 páginas], o encenador quis manter o fio condutor da história, centrando-a na figura de Ahab (Miguel Guilherme), o capitão obstinado que vagueia pelos oceanos em busca da baleia branca que lhe arrancou uma perna, homem consumido pelas circunstâncias e que arrasta uma tripulação inteira para a espiral da sua loucura. “Ahab é o ódio e a vingança, é a obsessão cega contra a Natureza, contra a baleia que personifica um Mal que está, no fim de contas, dentro dele.” O mais extraordinário de tudo é que Ahab, no seu desvario suicida, consegue ser persuasivo. “Porque será que as outras personagens todas, mesmo as mais racionais (Starbuck), seguem o discurso do capitão? Foi esse fascínio perigoso que quis pôr em cena.”
Além de ter aglutinado várias personagens em cada um dos sete marinheiros que se cruzam no esboço minimalista do Pequod (navio de Ahab) criado pelo cenógrafo João Mendes Ribeiro, a adaptação de Maria João Cruz criou ainda o Piloto da História (Maria Rueff), narrador que olha de fora para os acontecimentos e que não existe no texto original. “Em todos os meus espectáculos há figuras deste tipo, que dialogam com o público e acabam por resgatar passagens ou ideias interessantes que estão nos livros mas que a linguagem dramatúrgica geralmente sacrifica”, lembra Pires.


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Rueff, que surge em Moby Dick num registo contido, muito distante da exuberância histriónica das suas personagens televisivas, assume o carácter profético da personagem: “Eu sou uma espécie de oráculo da tragédia grega. Sou a mulher que fica em terra: a mãe, a amante, a namorada, a filha. No fundo, aquela que sobrevive e fica para contar.” As vestes de quaker permitem situar historicamente a tragédia e sublinhar a rigidez moral de um mundo dominado pela Bíblia (cuja sombra se prolonga da evocação inicial do castigo de Jonas ao simbolismo do nome de personagens e navios).
Outra das funções do Piloto consiste em fazer a ponte com a escrita de Melville, com a sua música. “Quisemos resgatar a poética do texto, nomeadamente as belíssimas descrições do mar, dos céus, das tempestades e dos vários fenómenos naturais.” Como o Fogo-de-Santelmo que em dado momento ilumina, a um canto do palco, o mastro do Pequod, mais alto do que o segundo balcão.
Desde o início, a equipa foi acompanhada, a par e passo (excepto na viagem aos Açores), pelo realizador João Botelho. “Ele esteve sempre presente, das leituras até à estreia, passando pelos ensaios num armazém de Benfica, enorme (para caber o cachalote) e gélido, mas com uma luz belíssima”, diz Pires. O documentário será exibido na RTP ainda este ano, em data a definir.

[Publicado na edição de hoje do Diário de Notícias]

Fotografias: JMS

DISTINGUIR

«A meio de um noticiário ocorre-me que, se os actores gregos usavam máscaras distintas para a tragédia e para a comédia, era porque o público nem sempre conseguia distinguir uma da outra.»

[José Bandeira]

SLOGAN

Um dos mais geniais slogans de sempre é, para mim, «O Inferno em papel-bíblia», que a Gallimard usou para publicitar a edição das obras completas de Sade na colecção Pléiade.

MAGNÍFICA BARCA

A de J. Rentes de Carvalho, com o tempo contado e a prosa mais elegante das redondezas.

janeiro 18, 2007

AHAB E A BALEIA

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Coragem! Coragem, marinheiro! Endurece o teu coração, semi-deus! Da espuma da tua morte no mar ergue-se verticalmente a tua apoteose.

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Moby Dick, de Herman Melville, encenado por António Pires a partir de uma adaptação de Maria João Cruz, com Maria Rueff (Piloto da História), Miguel Guilherme (Capitão Ahab), Graciano Dias (Ismael), Ricardo Aibéo (Starbuck), José Airosa (Stubb), Miguel Borges (Queequeg), Milton Lopes (Pip), João Barbosa e Rui Morisson. Estreia hoje, às 21h00, no Teatro São Luiz, em Lisboa.

Fotografias: JMS

MEG

Impressionantes, as ondas de choque na blogosfera produzidas pela morte de MEG (Maria Elisa Guimarães), autora do Sub Rosa desde Setembro de 2001 e uma das bloggers mais activas e respeitadas do Brasil. De ambos os lados do Atlântico, o desaparecimento súbito deixou um vazio esquisito em muita gente, uma tristeza de poucas palavras típica dos estados de choque, como se pode conferir nos muitos links compilados pelo Henrique Fialho. Custa-me sobretudo assistir à devastação da dor, tão próxima, que atingiu o Paulo José Miranda.

APROXIMAÇÕES À VERTIGEM DA ESCRITA

Na última década, a área de Literatura do concurso Jovens Criadores – co-organizado pelo Instituto Português da Juventude e pelo Clube Português de Artes e Ideias – tem sido uma espécie de montra por onde foram passando muitos talentos literários, alguns dos quais conseguiram afirmar-se rapidamente (casos de José Luís Peixoto, Ondjaki, André Murraças), enquanto outros aguardam ainda a oportunidade, ou a sorte, de voos mais altos (por exemplo, Rui Manuel Amaral, Fernando Bilé, Valério Romão, Margarida Vale de Gato).
A antologia relativa à colheita de 2006, mais uma vez dada à estampa pela 101 Noites (depois de alguns volumes publicados na extinta editora Íman), volta a oferecer-nos boas surpresas, por entre textos que sofrem de concursite aguda; isto é, trabalhos que esbanjam a energia dos seus autores na busca de uma originalidade a todo o transe, capaz de impressionar o júri de selecção e encher o olho ao leitor, mas que se limita, quase sempre, à réplica de experimentalismos serôdios e sem rasgo.
No capítulo das boas surpresas, destacam-se claramente dois nomes: Alexandra Pereira (Estapafúrdiocontostropicotransculturais) e Miguel Marques (As minhas lágrimas são apóstrofos que caem), repetentes que já constavam da recolha de 2005. Por trás dos títulos duvidosos (para não dizer catastróficos), encontramos brilhantes exercícios de estilo só ao alcance de quem domina os princípios essenciais da linguagem literária. Alexandra Pereira oferece-nos quatro contos divertidíssimos, exuberantes, bem medidos (com alusões a Hemingway, que aparece sob a forma de fantasma, e ao universo mágico de García Márquez), mais um pequeno ensaio dispensável (A Alegoria da Gaiola). Miguel Marques assina o retrato, em tons de polaróide, da relação entre uma avó fechada na sua doença terminal e o neto aspirante a escritor, rapaz inseguro às voltas com uma prosa que se desdobra em vários tempos, se distende, absorve a “verdade” comezinha da vida real e depois explode em todas as direcções (deliciosa, a paródia aos “jovens escritores” que se põem em bicos de pés, imitam Lobo Antunes e tentam entrar em antologias como esta).
Exemplos de concursite: a “saga infantil” de Jorge Vaz Nande (tão bem escrita e surreal como exibicionista e gratuita) ou as quase ilegíveis manchas de texto compactas de Tiago Videira, com vénias explícitas ao concretismo brasileiro (Haroldo de Campos). Sobra um conto sólido embora algo esquemático, de estilo clássico e final decepcionante (A Casa, Inês Vinagre); um devaneio romântico pop sem espessura (14 de Fevereiro, Sofia Afonso Ferreira); e os poemas – muito frágeis, os de Nuno Marques (As Faces de Orlando); interessantes e instáveis na sua auto-reflexividade, os de Vanessa Musculino (Poesia Útil).

[Publicado no suplemento 6.ª do Diário de Notícias]

TÍTULOS

No livro Ficções Científicas & Fantásticas, publicado pela novíssima editora Chimpanzé Intelectual, o impagável Manuel João Vieira assina uma prosa amalucada com título a condizer: As Fantásticas Aventuras de Luís Mendonça. Lá dentro, há uma história dentro da história (melhor dizendo, um filme dentro do conto) com um título igualmente sugestivo: Luís Mendonça e as Mulheres Canibais. Mas o melhor de todos os títulos está guardado para o futuro segundo episódio da saga de L. M.: Os emissários de Tokalon. Quem será capaz de resistir ao genial cruzamento entre António de Macedo e o fabuloso mundo dos cosméticos?

janeiro 17, 2007

QUANDO A FICÇÃO INVADE A VIDA DO FICCIONISTA

Uma grande, grande história (colhida aqui):

The novellist Ian McEwan has discovered that a bricklayer is the older brother he never knew he had, following the man's quest to uncover his roots.
The revelation emerged that Rose McEwan, the novelist's mother, had given away Ian's older brother, Dave, at a railway station. He was conceived by Ian's father, David, and Rose while she was still married to her first husband. She had fallen pregnant from her wartime affair with David and wanted to give her baby away before her husband returned home on leave. An advert she placed in a local paper read: "Wanted, home for baby boy, aged one month: complete surrender." Rose and Percy Sharp were given the baby at Reading railway station, in Berkshire.
Rose married McEwan, the child's father, then an army officer, after her husband was killed in the Normandy landings.
The couple had their second son, Ian, six years after Dave Sharp had been born. (...)
The lives of the two men have taken very different paths. Mr Sharp, 64, worked in the building industry in south-east England during the post-war years. His undiscovered brother went from private school to university before finding international acclaim with such novels as
Atonement, and Enduring Love. For 20 years the brothers lived just 15 miles apart, Mr McEwan in Oxford's exclusive Park Town, and Mr Sharp in the Wallingford.
Mr Sharp told the Oxford Mail: "I had never heard of him. Of course, I've read all of his books now, but whether he's a road-sweeper or an author is immaterial. He's just my brother to me."

ESCADAS ROLANTES

Subir. Subir. Subir. Até ao abismo.

ESTE PEJO EM CONFESSAR A FALTA QUE ME FAZEM CERTAS PESSOAS

«(...) Não faço birras. Não encontro sossego. Despendo grande parte do dia sozinho. Dos dias. Sozinho. Esqueço-me de coisas supérfluas. Das outras nem tanto. Fumo em excesso. Escarro em demasia. Relativizo a tristeza. Descubro versos numa turquês. Inalo esferas de naftalina. Não sou feliz mas ocupo-me doutros assuntos. De quando em quando alguém telefona. Um apito inusitado, tal qual o da chaleira da minha avó. A minha avó munia-se de uma braseira no inverno. Atiçava as brasas com uma tenaz. Não teço considerações filosóficas. Temo ser inoportuno. Este pejo em confessar a falta que me fazem certas pessoas. (...)»

[in As minhas lágrimas são apóstrofos que caem, de Miguel Marques, texto incluído na antologia Jovens Escritores 2006, 101 Noites]

LIÇÕES DE FOTOGRAFIA

Aprende a arte de ignorar o foco.
Repara nos reflexos menos óbvios.
Enquadra a imagem como se ela estivesse a arder.
Capta a sombra (real ou imaginária) do que ficou fora de campo.

janeiro 16, 2007

LACRAUS

Andava sempre com lacraus no bolso, mesmo quando não tinha lacraus no bolso.

ESTA MANHÃ

A bruma presa por fios.

OUTRO QUE REGRESSA APÓS BREVE POUSIO

Luís M. Jorge, ex-sniper que não perdeu a pontaria.

janeiro 15, 2007

RETRATO (TALVEZ INVOLUNTÁRIO) DO COMPOSITOR JOHN CAGE, POR QUINO

A cara do homem faz-me lembrar, hélas, o James Joyce.

janeiro 14, 2007

UMA QUESTÃO DE SEQUÊNCIA

Antes de ler os dois posts seguintes, comece por ler este, s.f.f.

QUATRO PERGUNTAS

1. Qual é, para ti, o lugar que Cesariny ocupa