« A CIDADE-PALIMPSESTO | Main | ALEXANDERPLATZ »

IPSIS VERBIS

«Nunca fui capaz de escrever depressa, porque para mim tudo são obstáculos: o vocabulário, o ritmo, o enredo, o diálogo, o significado, o comprimento das frases, a repetição de palavras. Leio uma página terminada e logo me incomodam dezenas de defeitos. Reescrevo. Releio-a e surpreende-me o abuso dos possessivos, a desarmonia dos sons, as preposições irrelevantes. Reescrevo. Um pensamento racional parece-me horas depois totalmente absurdo. Reescrevo. Dez, quinze, vinte e mais vezes — parecerá exagero, mas não é — a mesma página é acrescida aqui, cortada além, mudo um verbo, desfaço uma rima. Releio, reescrevo, a ponto tal que de puro cansaço o texto por vezes me parece alheio.»

J. Rentes de Carvalho [Os Canhões de Navarone]

Comments

Texto espetacular, porém de complicada compreensão sobre seu significado e sentido, como se "disperso" na intenção
do criador da página em passar algo
para o pesquisador.

Post a comment