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SOMBRA DE UMA AVE

Na última frase do primeiro "conto longo" de Os Emigrantes (Teorema), descobri uma daquelas expressões que nos acertam em cheio com a sua verdade, a sua exactidão. «(...) Passou por mim como a sombra de uma ave em pleno voo», diz o narrador. A sombra de uma ave em pleno voo. Coisa errante, bela, esquiva, sempre a escapar-se. Se me pedissem para definir a escrita de W. G. Sebald, talvez respondesse isso mesmo: «é como a sombra de uma ave em pleno voo». E o que não cabe nestas dez palavras, só cabe em dez mil.

Comments

Parece mais um Axioma que um Teorema.
Abraços

Jorge de Sena, invocando Sá de Miranda: "das aves passam as sombras"

É de facto uma expressão visualmente marcante.

oileeoenan itzoznliix

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