SOMBRA DE UMA AVE
Na última frase do primeiro "conto longo" de Os Emigrantes (Teorema), descobri uma daquelas expressões que nos acertam em cheio com a sua verdade, a sua exactidão. «(...) Passou por mim como a sombra de uma ave em pleno voo», diz o narrador. A sombra de uma ave em pleno voo. Coisa errante, bela, esquiva, sempre a escapar-se. Se me pedissem para definir a escrita de W. G. Sebald, talvez respondesse isso mesmo: «é como a sombra de uma ave em pleno voo». E o que não cabe nestas dez palavras, só cabe em dez mil.
Comments
Parece mais um Axioma que um Teorema.
Abraços
Posted by: Carlos Estroia | janeiro 16, 2006 01:42 PM
Jorge de Sena, invocando Sá de Miranda: "das aves passam as sombras"
Posted by: Rui Almeida | janeiro 16, 2006 01:56 PM
É de facto uma expressão visualmente marcante.
Posted by: Katraponga | janeiro 16, 2006 06:27 PM
oileeoenan itzoznliix
Posted by: Leonard | março 3, 2006 02:51 AM