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LÁ EM CIMA

O quadro que ilustra a parte superior desta página é uma das versões de A Ilha dos Mortos, a terceira das cinco que Arnold Böcklin (1827-1901) pintou. Pertence à colecção da Alte Nationalgalerie (Berlim) e torna quase palpável o que no romance de Bioy Casares apenas se insinua:

«Quinta hipótese [colocada pelo narrador na tentativa de explicar a aparição de "intrusos" numa ilha supostamente deserta]: os intrusos seriam um grupo de mortos amigos; eu, um viajante, como Dante ou Swedenborg, ou então outro morto, de outra raça, num momento diferente da sua metamorfose; esta ilha, o purgatório ou o céu daqueles mortos»

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Zé Mario: Böcklin, descrição, de um Guimarães Rosa póstumo ("Parámo", em "Estas Estórias")-
"Daquele pátio, eu trouxe novo desalento, uma noção de imobilidade. (...) E o negrêgo dos eucaliptos, seu evocar de embalsamamentos, as partículas desse cheiro perseguem-me, como que formam pouco a pouco diante de meus olhos o quadro de Boecklin, "A Ilha dos Mortos": o fantasmagórico e o estranhamente doloroso maciço de ciprestes, entre falésias tumulares, verticais calcareamente, blocos quebrados, de fechantes rochedos, em sombra - para lá vai, lá aporta a canoa, com o obscuro remador assentado: mas, de costas, de pé, todo só o vulto, alto, envolto na túnica ou sudário branco - o que morreu, o que vai habitar a abstrusa mansão, para o nunca mais, neste mundo. Ah, penso que os mortos, todos eles, morrem porque quiseram morrer; ainda que sem razão mental, sem que o saibam."

Sugestão: a imagem do cabeçalho é um pouquito pesada (mais de 200kb) acho que sem perder detalhe (que o olho humano notasse) podias gravá-la num formato diferente o que permitiria "carregar" o blogue em menos de um ai. Mas também fica bem assim com a imagem a desvendar-se aos poucos :-)
Lemo-nos por aí :-)

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